Marcelo Belmont de Oliveira, Niterói (RJ)
Inicialmente quero apresentar a minha modesta opinião sobre o grande trabalho desenvolvido no TERRA MAGAZINE, local onde a informação passada através da leitura sempre estimulante, ganha ainda mais força. Parabéns.
Sou brasileiro nato, tenho 42 anos, administrador de empresas, cidadão comum não engajado em qualquer tipo de disputa ou causa política-partidária. Apenas acompanho a política nacional como maneira de estar bem informado quando sou chamado à prestação da minha obrigação como eleitor, tarefa essa cada vez mais difícil. Com toda essa dificuldade lembro-me perfeitamente das opções que fiz nas eleições em que contribui com o meu voto, quase todas frustradas durante os respectivos mandatos daqueles que ajudei a eleger.
Nessa última eleição, pela primeira vez, anulei o meu voto para as vagas de prefeito e vereador aqui no meu município (Niterói/RJ). Muito triste pela minha opção e ainda mais pela falta dela, realmente anulei o meu voto como forma de protesto contra o caos político instalado na minha cidade, onde nada precisa ser escrito muito menos realizado, uma vez tendo sido prometido publicamente. Isso sempre favorecido pela pouca memória do eleitor brasileiro que quase nunca se lembra dos atos praticados por aqueles que reaparecem pedindo voto.
Embora uma decisão dura, admito que a anulação do voto é uma opção válida, política e democrática e não signifique, necessariamente, uma omissão ou covardia do eleitor. Muitas vezes a descrença é tão grande a as opções tão descaradamente idênticas, quanto aos propósitos nada verdadeiramente políticos que da vontade de protestar. Uma alternativa é a anulação do voto.
Um problema é que o político sabe da imagem que tem perante a população, entretanto conta com a proteção da omissão coletiva validada pelos instrumentos chamados democráticos existentes no Brasil.
Onde quero chegar é que as urnas eletrônicas não possuem a tecla específica para a anulação do voto, embora haja aquela destinada a votação em branco, que a maioria da população, duvido, saiba exatamente o que signifique.
Se anular o voto faz parte do direito legítimo do cidadão, por qual razão o STE não o permite honestamente, inserindo nas urnas uma tecla específica para ANULAR, assim como aquela existente para votar em BRANCO.
Todos sabemos como fazer para anular um voto, mas acredito que seja obrigação dos legisladores do nosso país assegurarem à todos o direito, líquido, fácil e garantido para o exercício desse direito democrático e constitucional. Muitas pessoas com as quais conversei, não sabiam como anular o voto e acho que esse direito não pode ser cerceado pelo estado.
Grato pela atenção, espero contar com o apoio dos senhores para iniciar essa discussão no país, a tempo de fazer valer plenamente os nossos direitos constitucional antes da próxima eleição já marcada.
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