Humberto Amadeu Capellari, São Paulo (SP)
De tremendo mau gosto este aumento autoconferido pelas Mesas, mas lamento, não comungo com a visão de que o "povo" aprendeu a "protestar".
A decisão do STF tratou de uma questão interna do parlamento, o mandado de segurança questionava o direito das Mesas decidirem sem consultar os outros parlamentares, então, tratou-se de uma correção.
Se o resultado da "comoção" e da "reação popular" acabou sendo a anulação do reajuste, em termos práticos, tudo bem, é isso mesmo o que se buscava. Mas não se pode ignorar que se reagiu a uma decisão visível, palpável, como foi o caso do aumento: quando, no passado, o decreto 444/02 foi promulgado, deveria-se prever o desdobramento dele.
O "absurdo" já se configurava no papel, e não lembro de comoção similar. Penso que, o que se viu nesta última semana, foi o efeito "caixa de ressonância", em que a "opinião pública" reclamou do aumento sem que ( e seria essencial para que pudéssemos avaliar o grau de conhecimento das pessoas quanto às instituições ) conseguisse imputar a decisão aos verdadeiros autores.
O que se viu foi uma perigosa generalização, na qual "os políticos, os deputados, os senadores ladrões roubam a gente…" ou " o Lula mandou aumentar o salário dos cupinchas". E a mídia, alegremente, capitalizou para sí, na medida em que "deu voz ao povo indignado" e postou-se a seu lado na "luta".
Conveniente, para quem teve seu papel colocado sob suspeita, por seu apoio velado - e às vezes não - ao candidato à presidência derrotado e ganhou uma oportunidade como essa para limpar um pouco sua reputação perante o eleitorado. Graças aos aloprados das Mesas.
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