Vitor Ferraz Costa (BA)
Prezado Bob,
em virtude dos últimos acontecimentos envolvendo o glorioso Esporte Clube Bahia, dentre os quais, cito a luta para não retornar a série C, denuncias e escândalos relacionados a prática de “mala branca”, e ainda o processo judicial movido pelo Senhor Marcelo Guimarães Filho, contra o jornalista João Carlos Teixeira, após duras criticas feitas pelo mesmo à sua gestão, resolvi compartilhar um pouco da luta que estamos travando – digo estamos pois me refiro ao grupo que faço parte, do qual falarei a diante – e ainda informá-lo sobre algumas coisas que não ficaram bem esclarecidas pelo “nosso” Presidente na entrevista concedida a Terra Magazine.
Faço parte da Revolução Tricolor (www.revolucaotricolor.com.br), grupo de sócios e torcedores do Bahia que luta, através de vias legais, por mudanças mais profundas no Clube. Estamos com diversas ações em andamento, sempre visando a democratização do clube, a aprovação de um novo e moderno estatuto, renovação dos conselhos deliberativo e fiscal e eleições diretas para presidente, sem qualquer tipo de filtro enganador.
As ações mais recentes passam por algumas reuniões com membros da atual Diretoria do Clube, inclusive o Presidente, no intuito de colaborarmos com a “Renovação” (Proposta de Campanha do Sr. Marcelo Guimarães Filho) e, como d’antes, nada mudou no Campo e, muito menos na Administração. As coisas continuam obscuras, sem programação, sem verdade (como é o caso do “Sócio-Torcedor”, que tem benefícios duvidosos, e nenhuma legalidade perante o estatuto atual) e com o Radicalismo e a Desonestidade de sempre.
Uma Carta aos membros do Conselho Deliberativo e Consultivo, cobrando um posicionamento mais atuante e mais voltado para o bem do Clube, além de ressaltar as principais responsabilidades do cargo que ocupam.
Por fim, e talvez, o movimento mais decisivo, um Abaixo-Assinado de Sócios e outro de Torcedores, a ser enviado ao STJD e também a diretoria executiva, solicitando a exclusão do Presidente do Conselho Deliberativo – Sr. Ruy Accioly – por macular a imagem do Clube no episódio da mala branca, dentre outras tantas reivindicações, com base no próprio Estatuto vigente.
Pois bem, feitas as devidas apresentações, irei “direto ao ponto”, falarei de algumas colocações do Sr. Marcelo Guimarães Filho, quando questionado pelo Terra Magazine.
O parágrafo que mais me chamou atenção foi o seguinte:
“Mas o senhor, praticamente, não tem oposição. Atraiu até opositores para sua administração.
Se eu não tenho oposição, é porque talvez eu tenha tido condições de mostrar às pessoas… Isso talvez seja uma prova bastante clara da minha maneira democrática de gerir o clube, maneira democrática de mostrar às pessoas o que está acontecendo. Quando você chama as pessoas pro seu lado e mostra: o problema é esse aqui, o problema tá desse tamanho, vamos resolver juntos… Promovi dentro do clube, acho que é por isso que tenho conseguido trazer as pessoas, nesses dez meses, não o que desejo ainda e não o que a torcida deseja, porque ainda cobra. Mas avançamos muito em termos de democratizar o clube. Promovi uma reforma do estatuto do clube, ampliando o poder do conselho deliberativo, o próprio sócio votar para presidente. Publiquei pela primeira vez na história, no site do clube, as contas. Criei um conselho consultivo, colocando pessoas que estavam alijadas. Toda ação tem uma reação. Não é do nada que eu tive apoio das pessoas. Como você falou, a oposição tem diminuído, mas
ela não deixa de existir… Não é pela cor dos meus olhos (o deputado tem olhos azuis) que têm apoiado minha administração no clube.”
Diante disso gostaria de ponderar alguns pontos que considero importantes, vejamos:
1º - Não podemos negar que o Bahia de hoje é mais aberto às pessoas em geral, de forma que eu – talvez pela minha pouca idade – nunca vi uma diretoria procurar e escutar pessoas com pensamentos tão distintos e de corrente contrária à sua. Alguns opositores foram procurados, puderam opinar sem sofrer nenhuma represália, o que de fato deu um “ar de democracia” ao tricolor.
2º - No que tange a reforma do estatuto, faz-se necessária uma análise mais detalhada. Contudo gostaria de destacar que ainda não houve modificação do mesmo, conforme afirmou MGF, afinal a assembleia geral dos sócios, que deveria ter acontecido em outubro, já que o Presidente, em uma reunião que a Revolução tricolor teve com ele, chegou a marcar uma data para realização do evento, que inexplicavelmente não aconteceu.
O texto ao qual Marcelo Guimarães Filho se referiu, que foi apreciado apenas pelo Conselho deliberativo, não é tão democrático como o mesmo afirma.
Os pontos mais importantes a serem debatidos são:
- A questão da proporcionalidade no conselho, que pela proposta apresentada renovaria de 3 em 3 anos em 1/3 dos seus membros, ou seja, de 300 somente 100 seriam novos conselheiros sendo que não há critérios definidos sobre como serão escolhidos os conselheiros que irão ser excluídos na renovação correndo o risco de que isso ocorra ao bel prazer do presidente que estiver no comando.
- Outro ponto importante é a questão do “filtro”, pois conforme este
estatuto, o atual conselho do Bahia iria escolher internamente dentre os seus
membros apenas dois candidatos para que os sócios possam votar, eliminando a chance do sócio de poder optar por outro projeto, senão aquele que o
conselho deliberativo considerou melhor. – Então, a informação de que o sócio vota diretamente para presidente não tem total procedência, visto que cabe ao conselho indicar apenas dois candidatos.
- Por fim, e não menos importante, o modelo do sócio benfeitor a ser implantado, que vai de encontro justamente com o proposto pelo filtro, pois o sócio benfeitor não precisa atender nenhuma carência pra votar e ser votado bastando dar um dinheiro ao clube no qual o presidente é que vai definir este valor especial e conceder tal titulo ao possível sócio benfeitor. O sujeito passa de uma hora pra outra poder ser votado dentro do conselho sem a necessidade de filtros.
3º - O Presidente afirmou que, de forma inédita, ele apresentou as contas do clube no site oficial, o que é uma verdade inquestionável, um fato que foi bastante elogiado à época. Porém, MGF esqueceu apenas de informar que as contas apresentadas foram apenas referentes ao primeiro trimestre do ano, os demais meses seguem pendentes de divulgação. Foi omitido também o fato da não convocação do Conselho para apreciação das contas da gestão anterior, o que é obrigatório, segundo nosso estatuto.
4º - Para finalizar as observações, “Marcelinho” falou também a respeito do Conselho Consultivo criado por ele, órgão, até o presente momento, inoperante e inexpressivo, totalmente inútil, que teve como único fato marcante, a expulsão de um dos seus integrantes, o também jornalista Samuel Celestino, após fazer duras críticas a gestão do atual presidente. E ele ainda diz aceitar as críticas sem problemas. Balela!!
Pois bem, peço desculpas pelo texto longo, mas não poderia ler essa entrevista e me manter “calado”, como se tudo aquilo afirmado fosse uma verdade inquestionável.
Espero poder contar com a sua ajuda na divulgação de notícias que muitos deixam de lado ou tentam camuflar, mas que na realidade são de grande importância para que as pessoas saibam o que, em verdade, acontece no nosso querido Esporte Clube Bahia.
Obrigado pela atenção,
Vitor Ferraz Costa
ferrazvitor@hotmail.com